O Zen Budismo

A prática do Zen Budismo é a realização de nossa natureza iluminada. Ela não se restringe à prática do Zazen (meditação zen budista), mas a todas as nossas ações e atitudes. Para que essa natureza búdica se manifeste, a prática - tanto individual quanto coletiva - do Zazen e das demais atividades da Sangha (comunidade de praticantes budistas) é imprescindível.

Por meio dessas práticas tornamo-nos capazes de desenvolver nossa capacidade de viver plenamente o momento presente. Assim, disciplinamos o corpo e a mente de forma a atingir tais objetivos, embora não o façamos visando a esse ou quaisquer outros benefícios. Praticamos apenas com o intuito de praticar, "sem ganho, sem nenhum ganho", como versa o Sutra do Coração da Grande Sabedoria Completa. Estarmos presentes conscientemente no aqui e no agora é consequência dessas práticas.

O Zen Budismo pode ser entendido como uma tradição religiosa, uma vez que sua prática envolve um aspecto devocional, compreendendo cerimônias e liturgias próprias. Contudo, mais além do aspecto religioso, por outro lado, o Zen Budismo se distancia das tradições religiosas quando o analisamos sob o ponto de vista da prática meditativa que visa o auto-conhecimento e, consequentemente, o exercício da compaixão, e não a devoção a alguma entidade sobrenatural. Portanto, qualquer ser humano que queira tornar-se o Caminho Iluminado, pode fazê-lo, tal como o fez Siddhartha Gautama, há mais de 2.500 anos.

A linhagem a qual pertencemos tem suas raízes nas práticas e ensinamentos de Shakyamuni Buddha (o Buda histórico), na Índia e foi levada à China por Bodhidharma.

No século XIII, mestre Dōgen Zenji viajou do Japão para a China, buscando essas raízes e, ao retornar à sua terra natal, transmitiu os ensinamentos adquiridos naquele país, fundando a Escola Sōtō Zen Shu.

O mestre Keizan Zenji e seus discípulos deram continuidade aos ensinamentos de Mestre Dōgen, difundindo-os por todo o Japão. Por esta razão, é considerado um dos fundadores dessa linhagem nesse país. 

Essa Escola ou linhagem pressupõe a prática incessante do Zazen (meditação sentada) e do Kinhin (meditação caminhando), bem como das demais atividades cotidianas, individuais e coletivas) e dos rituais e cerimônias.

Dentre essas atividades, podemos destacar a prática do Samu (trabalho coletivo), as atividades litúrgicas (cerimonias) e os Sesshins (retiros Zen Budistas).

O Sesshin é uma valiosa oportunidade de vivenciar todos esses aspectos que compreendem a prática do Zen Budismo como um todo. Nesses momentos, todas as atividades - práticas meditativas, alimentação, trabalho etc. - são realizadas em conjunto, porém buscando sempre guardar o silêncio. Trata-se de um lapidar-se e, ao mesmo tempo, de um desapego do ego e de seus apegos e aversões a quaisquer coisas ou situações. A prática do Zen lembra-nos, em última análise, que somos todos uma única vida nesta Terra, que se manifesta de formas tão ricas e diversas.



Fortalecendo as três jóias do budismo - Buddha, Dharma e Sangha -, todas essas atividades e práticas se complementam, sendo imprescindíveis para o desenvolvimento espiritual do praticante dos ensinamentos budistas.



Portanto, apenas leituras não são suficientes, bem como apenas a prática do Zazen, sem o comprometimento com a Sangha também não o são. Afinal, todos esses aspectos compreendem igualmente a prática Zen Budista. E a prática é, em si, iluminação!

Que possam todos os seres se beneficiarem!



Gassho

Shakyamuni Buddha

Mestre Keizan                              Mestre Dōgen

Bodhidharma