SANGHA DE RIBEIRÃO PRETO

Nossa Comunidade

A Sangha é um dos três tesouros ou joias do Budismo. É a comunidade de praticantes leigos e leigas e de monges e monjas, todos comprometidos com os votos que fazem e com a difusão dos ensinamentos de Buddha, objetivando beneficiar a todos os seres.

Nossa comunidade é composta por nosso professor, monge Kōjun Sensei, e por seus alunos, preceituados e não preceituados, que doam seu tempo e colaboram para que as práticas aconteçam e que mais e mais pessoas possam praticar.

Além de organizar e ajudar nas práticas de Zazen, esse grupo atua ativamente nas liturgias e criando causas e condições para o zelo e a manutenção de nosso templo. Como Sangha, temos a oportunidade de desenvolver o senso de coletividade e trabalho em equipe.

A comunidade é como um jardim composto por inúmeros seres semelhantes, mas diferentes entre si, que coexistem em unicidade. Cada um tendo sua função e posição, mas contribuindo da melhor maneira que podem, com seus talentos e habilidades, para o florescer do grande jardim. Doam-se, assim, ajudando, nutrindo e cuidando uns dos outros, realizando a relação de interser que verdadeiramente existe entre toda a existência. Sem divisão ou separação somos, todos e todas, a sangha.

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Assim juntos, servimos e contribuímos para que o Dharma seja levado ao maior número de seres e que todos se beneficiem indistintamente.

Que possamos nos tornar o Caminho de Buda.

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ZEN BUDISMO

ESCOLA SOTO SHU

No Japão, o Zen Budismo se desenvolveu, ao longo de cerca de setecentos anos de história, dando origem a duas principais tradições. A tradição Rinzai caracteriza-se principalmente pela ênfase no súbito despertar e se vale do uso de kōans (pequenas histórias ou perguntas sobre as quais o praticante medita profundamente, com o objetivo de transcender a compreensão estritamente racional da realidade). A tradição Sōtō é mais conhecida pela prática do “shikantaza”, ou “apenas sentar-se”, o que caracteriza a noção de que o despertar ocorre de forma sistemática e gradual.

Somos representantes da escola Sōtō Shū do Zen Budismo, na linhagem de Zengetsu Suigan Daiosho (Yogo Rōshi), mestre de Transmissão do Dharma de Shingetsu Coen Rōshi, nossa Mestra e orientadora espiritual. Também seguimos os mestres Hakuyū Taizan Maezumi Rōshi, seu mestre de preceitos e Shundō Aoyama Rōshi, sua mestra de treinamento.

Como em outras tradições, realizam-se liturgias, exegeses de textos religiosos, kōans e atividades recitativas e devocionais. Contudo, a ênfase está na prática do Zazen, a prática meditativa sentada do Zen Budismo.

São considerados mosteiros-sede da tradição Sōtō Shū, no Japão, Daihonzan Eiheiji e Daihonzan Sojiji, construídos respectivamente pelos dois Mestres fundadores Eihei Dōgen Zenji (séc. XIII) e Keizan Jōkin Zenji (séc. XIV).

Atualmente, a tradição Sōtō é uma das maiores tradições budistas do Japão, com cerca de quinze mil templos e oito milhões de adeptos.

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LOJA DA PRÁTICA

Nossa Comunidade oferece itens para auxiliar na prática e nos estudos.

Entre em contato conosco para obter mais informações.

Alguns de nossos produtos:

- Zafu (almofada para práticas meditativas);

- Incensos;

- Assessórios de prática;

- Livros sobre Budismo e Livros de Sutras.

Saber mais sobre
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CONTRIBUA

A Perfeição da Doação no Budismo

por Barbara O'Brien

Doar é essencial para o Budismo. Doar inclui caridade ou oferecer ajuda material para pessoas que necessitam. Também inclui dar orientação espiritual àqueles que a buscam, bem como bondade amorosa para todos que dela necessitam. Todavia, a motivação de alguém para doar aos outros é, no mínimo, tão importante quanto aquilo que é doado.

Motivação


O que é motivação correta ou incorreta? No sutra 4:236 do Anguttara Nikaya, uma coletânea de textos do Sutta-pitaka, é listada uma série de motivações para doação. Ela inclui ser constrangido ou intimidado a doar, doar para receber um favor, doar para sentir-se bem consigo mesmo. Essas são motivações impuras.


O Buddha ensinou que quando nós doamos a outros, devemos doar sem expectativas de recompensa. Nós doamos sem apego, nem por aquilo que é doado, nem por quem recebe a doação. Nós praticamos a doação para nos desvencilharmos da ganância e do apego egóico.


Alguns professores sugerem que o ato de doar é bom porque acumula méritos e cria um karma que trará felicidade futuramente. Outros dizem que mesmo isso é apego egóico e expectativa de recompensa. Em muitas escolas, pessoas são encorajadas a dedicar méritos para a libertação de outros.


Paramitas


Doar com motivação pura é chamado dana paramita (Sânscrito), ou dana parami (Pali), que significa "perfeição da doação". Existem listas de perfeições que variam, de alguma maneira, entre o Budismo Theravada e o Mahayana, mas dana, doação, é a primeira perfeição em todas as listas. As perfeições podem ser pensadas como forças ou virtudes que conduzem alguém à iluminação.

monge Theravada e acadêmico Bhikkhu Bodhi disse: "A prática da doação é universalmente reconhecida como uma das mais básicas virtudes humanas, uma qualidade que atesta em profundidade a humanidade e a capaciade de autotranscendência de alguém. Igualmente, nos ensinamentos de Buddha, a prática da doação tem um lugar eminentemente especial eminência, lugar que a destaca como tendo o sentido de ser o  fundamento e a semente do desenvolvimento espiritual".


A Importância do Receber


É importante lembrar que não há doação sem recebimento, nem doador sem receptor. Portanto, doar e receber surgem juntos; não é possível que haja um sem o outro. Em última instância, doar e receber, doador e receptor, são um. Doar e receber, nessa compreenção, são a perfeição da doação. Enquanto estivermos nos discriminando como doadores e receptores, ainda estaremos aquém de dana paramita.


O monge Zen Shohaku Okumura escreveu no Soto Zen Journal que, durante algum tempo, não queria receber doações dos outros, pensando que deveria estar doando e não recebendo. "Quando compreendemos esse ensinamento dessa maneira, simplesmente criamos um outro padrão para medir ganhos e perdas. Ainda estamos na estrutura conceitual do ganhar ou perder". Quando o ato de doar é perfeito, não há perda nem ganho.

No Japão, quando os monges vão pedir esmolas, eles usam grandes chapéus de palha que escondem parcialmente seus rostos. Os chapéus também os previnem de verem o rosto daqueles que dão as esmolas. Nenhum doador, nenhum receptor; isto é a doação pura.


Doar sem Apegos


Somos aconselhados a doar sem apegos nem ao que é doado, nem ao receptor. O que isso significa?
No Budismo, evitar apego não significa que nós não podemos ter nenhum amigo. É quase o oposto, na verdade. O apego só pode ocorrer quando há, ao menos, duas coisas separadas - aquele que se apega e algo a se apegar. Porém, dividir o mundo entre sujeitos e objetos é delusão.


O apego, então, surge do hábito da mente de dividir o mundo entre "eu" e "todo o resto". O apego leva à possessividade e à tendência a manipular tudo, inclusive pessoas, para seu próprio benefício. Ser não-apegado é reconhecer que nada está realmente separado.


Isto nos traz de volta à percepção de que doador e receptor são um. E de que a doação não está, tampouco, separada. Assim, doamos sem expectativa de recompensa pelo recebedor - mesmo um "muito obrigado" - e não estabelecemos condições para a doação.


Um hábito de Generosidade


Dana Paramita é, algumas vezes, traduzido como "perfeição da generosidade". Um espírito generoso é um pouco mais do que simplesmente doar para a caridade. É um espírito de responder ao mundo e doar o que é necessário e adequado naquele momento.


Este espírito de generosidade é um importante fundamento da prática. Ele ajuda a demolir as muralhas do nosso ego, enquanto alivia algum sofrimento do mundo. E também inclui ser grato à generosidade dispendida à você. Esta é a prática de dana paramita.

O'Brien, Barbara. "Buddhism's Perfection of Giving." Learn Religions. Disponível em: <https://www.learnreligions.com/perfection-of-giving-449724> Acesso em: 29/12/2020.

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